Ultrassonografia ou Ecografia
A ultrassonografia pode prejudicar o bebê?
Muitos estudos foram realizados para avaliar isso. A ultrassonografia (US) é bastante segura, quando usada das especificações técnicas recomendadas. Os aparelhos de ecografia já tem essas especificações de fábrica.
Quantas ultrassonografias são recomendadas na gestação?
O médico prenatalista está capacitado para indicar os momentos que a US deve ser realizada. De forma geral, as US principais recomendadas são as chamadas de Rastreio, indicadas em todas as gestações, de risco habitual e alto risco, via de regra com Doppler Colorido, para se avaliar a circulação do sangue. A maioria dos especialistas indicam 2 ultrassonografias de Rastreio, no I Trimestre (em torno de 12-13 semanas) e no II Trimestre (em torno de 22-24 semanas) . Atualmente está se complementando com uma terceira no III Trimestre (30-34 semanas). Independentemente dessas, outras situações e momentos podem indicar a necessidade de avaliação do bebê. Já se é detectado algum risco aumentado fetal ou materno, outros exames ultrassonográficos mais complexos são indicados.
Quando a Medicina Fetal auxilia no acompanhamento do bebê?
Hoje temos médicos especializados no acompanhamento, diagnóstico e eventuais tratamentos intrauterinos no feto. É a Medicina Fetal, que se desenvolve a cada dia. Nem todos os exames ultrassonográficos na gestação necessitam ser realizados por um especialista em patologias fetais, mas o próprio obstetra ou o ultrassonografista irá indicar a necessidade, quando a situação ocorrer. Esses profissionais atuam em Centros de Medicina Fetal, ou mesmo em suas clínicas ou consultórios. A Medicina Fetal no Brasil é uma super-especialização da Obstetrícia.
O que é Translucência Nucal e para que serve?
A translucência nucal é a medida da camada de líquido na região da nuca do feto, obtida por ultrassonografia entre 11 e 14 semanas de gestação. Esse exame é crucial para identificar o risco de anomalias cromossômicas, como a Síndrome de Down, e outras condições genéticas, como as trissomias 18 e 13.
Além disso, a translucência nucal pode ser um marcador de malformações congênitas, como problemas cardíacos. Quando aumentada, o risco dessas condições é maior, e exames complementares, como o NIPT ou a amniocentese, podem ser indicados para confirmar diagnósticos.
Esse rastreio é considerado seguro e não invasivo, sendo amplamente recomendado para todas as gestantes. A medida isolada da translucência pode ser combinada com outros parâmetros, como a idade materna e exames bioquímicos (como o PAPP-A e o beta-hCG livre), no chamado rastreio combinado do primeiro trimestre. E hoje integra o Rastreio ou Morfológico de I Trimestre, juntamente com o Rastreio para Pré-Eclâmpsia, com possibilidade de se associar outros Rastreios de patologias como Diabete Gestacional, Macrossomia e Prematuridade.
Rastreio ou Morfológico de I Trimestre
O exame do I Trimestre é considerado por muitos especialistas o principal rastreio na gestação. Hoje temos possibilidade de fazer 3 importantes avaliações durante o exame.
1- Risco Genético:
São avaliados os marcadores de cromossomopatias, que podem incluir a medida da Translucência Nucal, a presença do Osso Nasal, a presença de Regurgitação da Válvula Tricúspide do coração, o Doppler do Ducto Venoso. Pode-se usar então um programa de cálculo de risco para cromossomopatias, que parte do risco que a paciente tem pela sua idade e recalcula-o com base na avaliação dos marcadores. É definido então um risco fetal específico.
2- Detecção de Malformações:
Através da avaliação detalhada da morfologia do feto, podem ser detectadas uma série de malformações já no I Trimestre de gestação.
3- Risco de desenvolver Pré-Eclâmpsia na gestação:
A pré-eclâmpsia é uma doença específica da gestação, que acomete um número expressivo de gestantes, podendo afetar o desenvolvimento do feto e aumentar significativamente o risco da gestação, podendo mesmo provocar danos sérios para a mãe e/ou bebê. O risco é avaliado através do histórico materno, de marcadores biofísicos, como pressão arterial média e doppler de artérias uterinas, podendo ser dosados também marcadores bioquímicos. Diante da detecção de risco alto para a pré-eclâmpsia, pode ser utilizado medicações como a Aspirina, que comprovadamente reduz esse risco significativamente.
Esse exame é conhecido como Rastreamento ou Morfológico de I Trimestre com pesquisa de Pré-eclâmpsia e via de regra deve incluir o Doppler de artérias uterinas maternas.
Morfológico de II Trimestre com Rastreio de Parto Prematuro
Através da avaliação detalhada da morfologia do feto, podem ser detectadas uma série de malformações e quadros sindrômicos.
É realizado através de uma cuidadosa sequencia de avaliações da anatomia fetal, com especial atenção no sistema nervoso central e coração, mas examinando também o tronco, cada órgão abdominal e torácico, além dos membro fetais. O resultado do exame é habitualmente registrado em um relatório detalhado. Também aqui o Doppler colorido pode auxiliar na avaliação do exame. A medição do comprimento do colo uterino é realizada via transvaginal, com técnica específica e interpretação do profissional.
O exame pode ser assim solicitado: Morfológico de II Trimestre com Doppler colorido e US Transvaginal para medida do colo uterino.
O que é Doppler Colorido Fetal?
A dopplervelocimetria é uma técnica ultrassonográfica que avalia o fluxo sanguíneo nos vasos do feto, na placenta e no cordão umbilical. É usada principalmente para monitorar a oxigenação e a nutrição fetal, ajudando a identificar situações como insuficiência placentária.
Essa avaliação é crucial em gestações de alto risco, como as associadas à pré-eclâmpsia, diabetes ou restrição de crescimento intrauterino. Por exemplo, alterações no fluxo do ducto venoso podem indicar comprometimento cardíaco ou aneuploidias, enquanto a análise da artéria cerebral média pode detectar anemia fetal.
O exame é indolor, seguro e fornece informações importantes para determinar a necessidade de intervenções, como parto antecipado ou transfusões fetais. Ele é uma ferramenta essencial para decisões clínicas na Medicina Fetal.
Exame Morfológico de I Trimestre (Rastreamento): o que pode detectar?
O exame morfológico de 1º trimestre avalia detalhadamente a anatomia inicial do feto entre 11 e 14 semanas, identificando malformações estruturais graves. Alterações no fechamento do tubo neural, como anencefalia, podem ser detectadas, além de problemas na parede abdominal, como onfalocele.
A avaliação da formação dos membros, crânio, face e órgãos internos também é possível nesse período. O exame ajuda a identificar sinais precoces de cardiopatias congênitas, como fluxo anormal no ducto venoso, o que pode indicar risco de doenças mais complexas.
Além disso, o ultrassom morfológico de 1º trimestre é frequentemente combinado com a translucência nucal e outros marcadores para um rastreio abrangente, sendo um dos primeiros passos para a detecção precoce de anormalidades fetais.